Jesus existiu mesmo? A prova da existência de Jesus Cristo é uma temática que apareceu com força nos últimos séculos na área da ciência e arqueologia, e também por que não, da teologia. Mas qual o verdadeiro motivo oculto nessa busca? Estudiosos, arqueólogos e até mesmo ateus, tem buscado a prova da existência física de Cristo. Não acho isso afronta, desrespeito ou abominação ao Cristianismo, mas temos que observar o real motivo para essa “curiosidade histórica”. Precisamos saber que o objetivo não é provar que Jesus existiu e sim provar que Ele não era Deus. Provar que Ele era um homem comum e morreu como todos nos morreremos um dia e não ressuscitou. O objetivo por trás das pesquisas não é encontrar Jesus, é encontrar seu corpo físico. Mas por que dispensar tantos recursos na busca do homem Jesus, por que essa busca do Jesus carnal? Alguns vão dizer que é a busca da verdade, busca religiosa, necessidade cientifica, histórica, saciar a curiosidade humana, dever ocupacional e outras justificativas, mas essa busca nada mais é do que uma questão social.

Vamos pensar um pouco no grupo de pessoas que buscam essa prova, quem são, quais seus interesses, quais seus objetivos. O Cristão que vai a igreja aos domingos e na segunda vai para o seu trabalho não procura a prova física de Jesus, isso não importa pra ele. O que ele espera é a redenção no final, e tem a confiança que seus dias aqui na terra se tornem melhores do que são. O centro do pensamento deste homem é a fé em Jesus, e fé é sinônimo de esperança. Precisamos entender que a esperança tem duas faces muito distintas, a esperança e boa para o dominado e é ruim para o dominante, ou para ser mais claro é boa para o pobre e é perigosa para o rico. Todas as revoluções, revoltas e lutas na história da humanidade começaram com a esperança, e o rico inteligente, culto e bem informado sabe disso. O que motiva a revolta em uma pessoa? O errado, a injustiça, a opressão. Um exemplo fantástico do que a esperança pode fazer para o povo é o caso da Revolução Francesa que se deu em 1789. Conta a história que Robespierre, líder desta revolução (inspirado por Diderot e outros pensadores da época), um certo dia andava pelas ruas de Paris, quando veio o rei com sua carruagem suntuosa, e ele como plebeu era obrigado a se curvar. Então se curvou Robespierre e ainda curvado pensou “por que me curvar a este homem que só me maltrata, me rouba e me faz sofrer”. Neste momento nasceu nele o sentimento de revolta e com ele a chama da liberdade, e a chama foi crescendo e veio depois a esperança em seu coração. Então ele começou a compartilhar essa esperança com outros, o movimento foi aumentando, se tornando cada vez mais forte e como sabemos terminou com o rei decapitado em praça pública. Devo pontuar que como bem disse Friedrich Nietzsche “quando você olha demais para o abismo, ele olha de volta pra você”. E como sempre acontece o oprimido se torna o opressor. Neste caso não foi diferente.

Seguindo essa linha de pensamento veremos que quem quer provar a existência de Jesus, não o quer por desejo íntimo, mesmo que sendo manipulado, certamente o quer por interesse puramente social. A fé, ou esperança em Jesus é que dá força aos Cristãos para lutar e perseverar em um objetivo superior. O Cristão tende a acreditar que vai conseguir pois o Senhor está com ele, e para o dono do chicote não é interessante que seu servo tenha forças para abrir a porta.

Pensemos no Brasil de maioria Cristã, maioria também de pobres oprimidos, se fosse provado que Jesus não ressuscitou, que está enterrado na Palestina, o que aconteceria com a fé Cristã, o que seria dos Cristãos? Fiéis desconvertidos, a desesperança e medo tomaria conta destas pessoas, principalmente dos mais humildes e sem conhecimento. Sem Cristo estariam todos ainda mais fragilizados e dominados. Citando ainda Friedrich Nietzsche que entendia na fé cristã um sinônimo de fraqueza (a fé em Jesus é só uma escora pra suportar a existência de uma vida miserável). O que seria dessas pessoas sem Jesus, o que seria delas que já são exploradas, roubadas, violentadas socialmente, sem a esperança? Estariam todas ainda mais subjulgadas a uma elite opressora e cruel.
Um outro exemplo da parcialidade com que esta questão é tratada pelos estudiosos é a de Sócrates, filosofo Greco do século quinto antes de Cristo. As semelhanças com Jesus são muitas, ele também foi condenado a morte (foi forçado a suicidar-se por envenenamento, uma prática comum na Grécia antiga). Sócrates acreditava no ensinamento falado e não escrito e por conseqüência, como Jesus, não escreveu nada. O que temos de Sócrates são histórias contadas por Platão e atribuídas a ele, e em Jesus temos Paulo e os outros apóstolos que fazem a mesma coisa. Porém a diferença entre eles é que por um bom tempo se questionou a existência de Sócrates ou se era apenas uma personagem criada por Platão, mas um belo dia se decidiu sem nenhuma prova concreta que Sócrates existiu realmente, e o assunto foi dado por encerrado, todavia com Jesus esse questionamento ainda persiste. Penso porque em Sócrates os grandes pensadores do nosso tempo tomaram uma decisão e em Jesus não? Será pela importância maior para a historia de Jesus, e não estou aqui desrespeitando o filósofo, pelas dificuldades ou vestígios encontrados no pensador grego, ou pelo fato de Jesus, diferentemente de Sócrates, ser um pensador do pobre, do servo, ou como ele mesmo disse: do faminto? Penso que a verdade está na caneta de quem escreve.

Como Cristãos devemos respeitar estas pessoas, não podemos nos esquecer do que disse o Senhor Jesus “E, ao que quiser disputar contigo, e lhe tirar a túnica, dê-lhe também a capa.” Mateus 5:40 Lucas 6:29”. Mas citando G. K Chesterton um grande escritor Cristão “a tolerância é a virtude daqueles sem convicção”. Temos que ser convictos de nosso amor a Nosso Senhor Jesus e ter ciência e clareza ao verdadeiro motivo que nutre essa busca.
A Vós, desejo a Paz, a Graça e o Amor de Nosso Senhor Jesus em todos os seus dias!
